
A IMPORTÂNCIA DA OFERTA NA UMBANDA
Trecho extraído do livro: "A magia das oferendas na umbanda" - autoria: Pai Juruá - no prelo
OFERTA TAMBEM É OFERENDA
Sabemos que tal assunto vai arrepiar os cabelos de muitos, bem como teremos críticas ácidas por defendermos tal prática, tão necessária à sobrevivência da nossa religião. Mas, vamos lá:
De agora em diante, nominaremos a mensalidade dos médiuns e dos adeptos de um Templo, de Oferta, pois é o que realmente ela representa. Nós a abordaremos tão somente como uma oferenda espontânea e generosa para que as obras da sua religião cresçam e floresçam.
Tão pouco compreendemos a vital importância das Ofertas nos Templos Umbandistas. Devido aos vários abusos presenciados, ou mesmo muito acharem desnecessária, acabam por julgar tão importante ação para a sobrevivência de um Templo, ocasionando a quebra de tal auxilio na Umbanda, onde nunca se fez o costume da Oferta espontânea consciente, mas sim, o “pagamento obrigatório” de uma mensalidade irrisória, que não é suficiente para as despesas internas.
Muitos trabalhadores ativos de um Templo Umbandista, deixam de realizar suas Ofertas, por não terem o conhecimento, a responsabilidade e a devoção suficientemente grande para entender da necessidade de tal prática para a sobrevivência de uma religião. Quando efetuam o ”pagamento” da mensalidade irrisória (quando o fazem), geralmente é chorada, como se aquela pequena doação fosse-lhes fazer imensa falta, ocasionando-lhes perdas irreparáveis. Com isso, estão incorrendo em falta com a lei da prosperidade, onde tudo o que é dado de forma revoltosa, o efeito e devastador, não para quem foi doado, mas sim, para quem doou, pois o retorno será miseravelmente cobrado.
O Umbandista, infelizmente, ainda não acordou para a importância da Oferta, tanto para a sua religião, como para a sua gratidão com Deus, pois o Pai está intimamente ligado com a religião praticada, onde através desta, o religioso estará se aperfeiçoando a cada dia mais, se espiritualizando e se tornando um ser mais equilibrado, sensato, bondoso e feliz.
Tem-se que na Umbanda, tudo tem que ser gratuito, pois confundem o ditado – “Daí de graça o que de graça recebestes do Pai” – esquecendo-se que este aforismo é tão somente para a prática da caridade desmedida, onde não poderemos “colocar um preço” sobre aquilo que é feito pelos espíritos em benefício da humanidade. Num Templo Umbandista, assim como é em qualquer um, tem-se alugueis, contas de água, esgoto, luz, telefone, impostos, papel higiênico, etc., etc., etc. Como faremos para pagar tudo isso? Convencendo as imobiliárias e as secretarias governamentais que eles estão errados em nos cobrar pois estão ferindo a lei do “Daí de graça o que de graça recebestes”?
Vejam que na Umbanda, neste sentido, a coisa é tão triste, que mesmo ao passar uma cesta a fim de recolher um óbolo, este é tão irrisório, que as vezes nem vale a pena a humilhação do seu recolhimento.
Tudo isso se dá pela falta total do convencimento da importância da Oferta espontânea para a Umbanda. Começando pelos próprios integrantes, que não se conscientizaram devocionalmente, não se integrando e nem abraçando a causa do seu próprio Templo, muitas vezes achando que estão “fazendo um favor” em ali estarem. Muitos Templos Umbandistas fecharam por total falta de recursos. A grande maioria dos Templos existe pela graça do sacerdote que doa um pequeno espaço de sua própria residência para as práticas religiosas.
Como um Templo Umbandista pode se dedicar à prática de assistêncialismo social, sem nem consegue se segurar pelas pernas? Como podemos auxiliar um membro nas suas dificuldades se não conseguimos muitas vezes comprar uma simples vela?
Com o decorrer dos anos, muitas vezes num desespero total, utilizamos todas as formas possíveis a fim de adquirimos meios de sobrevivência. Eram e são efetuados inúmeros eventos, reuniões, peditórios, e como resultados, tínhamos um acerto de contas momentâneo, e no outro mês lá vinha à bomba de novo. A maioria esmagadora dos Templos Umbandistas ainda não tem a sede própria. Sempre inquirimos: Mas porque? Onde estamos errando ou não acertando. Qual o segredo para se ter meios de sobrevivência? Somente com o passar dos anos e depois de tentar todos os métodos conhecidos para se levantar subsídios, chegamos a conclusão que somente através do auxilio espontâneo, através da oferta espontânea e consciente, iremos conseguir realizar coisas maravilhosas dentro da Umbanda, ou no mínimo sustentar o Templo que trabalhamos.
Com certeza, se os sacerdotes Umbandistas começarem, agora, a conscientização da importância da Oferta espontânea, ou seja, alguns darem o que puderem a mais do estabelecido como mínimo, certamente, pela ignorância reinante, pela obscuridade mental, pelo egoísmo e pela maldade, serão abandonados não só pelos freqüentadores do Templo, como também pelo seu próprio corpo mediúnico. A conscientização da Oferta espontânea é necessária, onde todos os sacerdotes Umbandistas deverão se unir no estudo e na conscientização de tal prática, para que quando um membro ativo, por ignorância achar que a Oferta espontânea é errada, quando for procurar outro Templo, este também estará realizando tal prática e ele certamente, com o tempo, também se conscientizará que seu apóio é necessário. Só o tempo mostrará a todos a importância da Oferta espontânea, não como auxilio, mas sim como obrigação, pois estaremos doando de coração uma parte do nosso trabalho, em prol daquilo que acreditamos ser, a vivência, a prática e a realização do Divino na Terra.
Quanto aos freqüentadores de um Templo Umbandista então, nem se fala. A maioria ali vai, simplesmente para ter seus problemas resolvidos, exigindo categoricamente que os espíritos façam um “milagre” em suas vidas, em nada auxiliando o Templo, pelo contrário, exigindo dos espíritos e dos médiuns que seus problemas sejam resolvidos pois alguém lhes disse que: “Daí de graça o que de graça recebestes”, e que os médiuns estão ali, pois têm uma “missão” para com Deus e são obrigados a colocarem roupas brancas, deixarem suas famílias, seus lares, seus afazeres, e estarem prontos, com caras bonitas, asseados e felizes, a fim de atenderem os seus mesquinhos desejos, os quais não tiverem competência de adquirir.
Observem bem como outras religiões, onde a Oferta é prática consciencial, tudo corre de forma admirável, com Templos bonitos, confortáveis, com berçários, salas para estudos, programas informativos na TV, jornais, revistas, Cds, auxilio aos seus membros, etc. Isso existe ou tem condições de existir na Umbanda na sua atual realidade? Se formos continuar no andar atual da carruagem, com certeza, no futuro continuaremos a ser uma religião “pobre”.
Muitos poderão dizer: mas Deus, os Sagrados Orixás e os Guias não precisam de dinheiro. Concordamos. Eles não precisam; e nós? Como realizaremos algo em prol da religião ou mesmo para as pessoas, sem dinheiro? Vamos pegar um exemplo prático, que com certeza ocorre em todos os Templos Umbandistas: Se um membro ativo de um Templo tiver alguma necessidade, ou mesmo vier a falecer; no que esse Templo poderá auxiliar? Certamente poderá somente auxiliar chorando, orando ou realizando um funeral. Só isso com certeza. Se depender de um fundo monetário de auxilio, o infeliz vai ter que passar fome mesmo, ou ser enterrado como indigente. Nós perguntamos:Perguntamos.
E a Oferta. Não é oferenda? Após o entendimento e a conscientização de que é a mais importante oferenda realizada, iniciaremos então, por amor, a doação espontânea e consciente, a nossa oferenda, a nossa oferta, para que a nossa religião possa crescer e se difundir com tudo aquilo que acreditamos.
Agora, se as ofertas forem consubstanciais para o sustento de um Templo, e seus dirigentes as usarem para sustentarem seus vícios bem como seus luxos, com certeza irão ter que haver com a Espiritualidade Maior, pois os Sagrados Orixás e os Guias Espirituais não acobertam erros de ninguém.
O QUE A OFERTA É PARA A UMBANDA
Não é "dízimo". assim denominá-lo é minimizá-la, e encará-lo "apenas" como solução dos problemas econômico-financeiros da comunidade ou como meio de sustentação do sacerdote ou do culto; é desvirtuá-lo, desviando-o de sua finalidade precípua e fundamental de meio por excelência de comunhão com o Pai, com Jesus e os Sagrados Orixás. A Oferta é um culto a Deus e aos Sagrados Orixás; um ato litúrgico praticado pelo Homem na Comunidade Umbandista, que assim se santifica oferecendo o seu trabalho para a santificação de toda a Umbanda e do mundo todo, doando-se a si mesmo.
Não tem um valor estipulado em porcentagem. Em cima de um mínimo estabelecido para as despesas necessárias, deve, conforme as possibilidades de cada um, ceder a mais, para prover às necessidades do Templo, de forma que ele possa dispor do necessário para o culto Divino, para as obras de atendimento e de caridade, o que indica a transparência com a mais ampla divulgação do plano sacerdotal e plena participação de cada um, conforme a sua própria vocação pessoal, bem como o orçamento e a receita do Templo.
Pelo fato de muitos Templos Umbandista imporem um valor fixo para as mensalidades, muitos membros atuantes acham que isso basta, e que o Templo não precisa mais do que aquilo para o seu sustento. Devemos sim, taxar um valor mínimo para as Ofertas (deve-se ter um mínimo para que a receita seja suficiente para cobrir as despesas), e a partir deste valor, cada um oferece a mais, àquilo que julga interiormente o merecido pela sua religião. Àqueles que, realmente, não puderem ofertar o mínimo estabelecido, devem se conscientizar de oferecer o que suas possibilidades permitirem. Todos devem participar, não excluindo absolutamente ninguém. Por mais humilde e menos posses que alguém possa ter, é impossível de conceber um servidor não poder ofertar um mínimo possível (nem que se disponha a auxiliar na limpeza, etc.). Com isso não estamos querendo dizer que aqueles que realmente não podem contribuir com nada, não irão fazer parte de um Templo Umbandista; observamos que geralmente aqueles que não contribuem monetariamente, também nada fazem para contribuir de outra forma, geralmente são os primeiros a se esconder quanto é solicitada alguma ajuda até numa limpeza.
O que acontece muito, são servidores indolentes e irresponsáveis, que muitas vezes enganam a si próprios, pois não se conscientizaram da importância da sua Oferta espontânea, não se esforçando mensalmente para cumprirem suas obrigações e com isso deixam de lado uma tão importante contribuição para a sobrevivência da sua religião.
Devemos também conscientizar os freqüentadores da importância da Oferta espontânea, mas com uma pequena diferença. Aos freqüentadores não será imposto um mínimo, mas sim, àquilo que cada um pode ofertar, bem orientando que essa Oferta é importante, e que o valor ofertado deverá ser tido como uma benção para o Templo e para a religião de Umbanda. Somente devemos atentar de bem orientar que a Oferta não será uma esmola, mas sim uma contribuição espontânea e mensal importante para a propagação e sustentação do Templo.
A Oferta não isenta o Umbandista de outras participações, até mesmo de caráter extraordinário que possam ocorrer ou de qualquer outra natureza, necessárias e concernentes para a vida comunitária. Não se confunde com os deveres individuais de caridade nem os substitui ou anula, nem ainda com as obrigações sociais de cada pessoa ou obras de misericórdia. Também não substitui a espórtula, que ocupa o lugar das primícias devidas a Deus, que, por sua vez, também não se confunde nem impede a participação com oferendas voluntárias ou votivas
A Oferta não deve ser encarada somente como uma doação; deve ser entregue, é um direito da Umbanda. Não pode ser objeto de nenhuma organização de controle ou fiscalização do que cada um pode ofertar a mais, no que vai contrariar a vivência do fiel no seu conteúdo doutrinário. Estará "pagando", não "comungando", nem "cultuando".
A Oferta deve ser entregue em virtude de seu sentido espiritual e religioso, sem outro interesse que o litúrgico, um culto, sentindo o Umbandista a sua participação no âmbito espiritual, um só Corpo com Ele, não se insinuando na Umbanda o sentido material desligado do religioso, para também por esse meio se santificar e se sacramentar o humano.

Nenhum comentário:
Postar um comentário